Recomendações, Reflexões, Trends

Nós e a Crise – V

Há dois dias atrás o Jornal de Negócios publicou a sua edição especial de 7º aniversário (parabéns ao JN!), e dedicou-a a um tema que constituiu um verdadeiro caso de serviço público: Portugal Antidepressivo.

Numa meritória reacção de combate ao estado de maledicência e pessimismo que grassa em Portugal, o Negócios desafiou os leitores a relatar exemplos de casos de sucesso e boas práticas por todo o país, tendo daí resultado um impressionante acervo de exemplos a seguir como inspiração!

Pegaram nesses testemunhos, pediram a um conjunto de personalidades de referência da sociedade portuguesa que acrescentassem os seus “exemplos virtuoso” e saiu um caderno de elevadíssima qualidade, que nos mostra o Portugal de que hoje não se fala: o Portugal dos empreendedores, o Portugal dos criativos, dos talentosos, perseverantes e vencedores, o Portugal que gera os milhões do nosso PIB e que espalha o nosso bom nome no mundo… sim, porque esse Portugal existe!

Obrigado ao Jornal de Negócios pela iniciativa, tão necessário nestes tempos de crise (e não deixem de ler essa memorável edição 😉 !)

Deixo ainda uma referência a uma meritória iniciativa da Liberty Seguros, intitulada Portugal Positivo.

Enjoy it! 😉

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Reflexões, Trends

Nós e a Crise – IV

Tive a semana passada o privilégio de participar numa conferência organizada pela Talenter, sob o título “O Talento nas Organizações“.

Coube-me a mim abrir e moderar o primeiro painel, onde tive o privilégio de conhecer o Carlos Coelho, presidente da Ivity Brand e uma das figuras de referência na criação de marcas em Portugal.

O Carlos fez uma intervenção divertida e assombrosamente lúcida, intitulada “Talent Branding”, onde passou um conjunto de mensagens muito fortes, que resumo aqui:

  • o mundo está a mudar, e isso implica que temos de reinventar a nossa proposta de valor continuamente, olhando para o nosso “território” e pensando se é nele que queremos continuar (numa alusão clara às estratégias oceano azul);
  • o talento reside na capacidade de interpretar a realidade, perceber o que é valorizado num determinado contexto e apostar nisso!
  • o talento é aquilo que não se consegue colocar na folha de cálculo – excelente frase! e nela reside a diferença entre “prestação profissional” e contributo talentoso! O contributo talentoso não é capturável por estratégias de explicitação do conhecimento, ele brota dos indivíduos por opção criativa e deliberadamente generosa (não esquecendo que todos usamos o chamado “princípio da retribuição”!);
  • uma marca é como o amor: leva tempo a fazer o seu caminho… e o talento, acrescento eu, reside no valor que percebem em nós, logo, como nossa “marca pessoal”, também requer tempo, paciência e disciplina…
  • se queremos seduzir os outros para o nosso talento, mais do que pensar o que queremos obter deles, temos de pensar o que temos para dar (qual o valor acrescentado que podemos oferecer?)
  • o não-talento hoje não significa não-talento amanhã – mais uma grande frase! porque nos relembra como por vezes desistimos tão depressa das pessoas...
  • ter talento é aprender todos os dias, fazendo a nossa caminhada de olhos bem abertos em busca do que ambicionamos – a ideia é tão boa que fala por si…
  • temos muito e bom talento em Portugal, do qual nos devemos orgulhar e dar como exemplo!

Só esta última ideia já tinha valido pela intervenção!

De facto, neste país à beira-mar deprimido, faz-nos falta muitos Carlos Coelhos que nos relembrem o que de bom fazemos por cá, para que a nossa auto-estima reflicta o nosso real valor, e não o valor que a Moody’s quer que tenhamos! 😉

Deixo-vos com uma apresentação do Carlos Coelho.

Enjoy it! 😉

Desafios, Reflexões, Trends

Nós e a Crise – III

Aqui há cerca de 3 semanas estive a dar um seminário sobre Liderança de Equipas a cerca de 180 quadros e empresários do sector da pecuária.

Foi no âmbito da parceria entre a Universidade Católica e a Intervet, sendo uma iniciativa de inscrição aberta aos profissionais da área.

A primeira surpresa que tive foi a adesão à iniciativa: em plena crise, 180 profissionais da pecuária em Portugal prescindiram do seu tempo num fim de semana para aprenderem sobre Liderança de Equipas!

O que significa isto?

  • Que este sector de actividade tem profissionais que já perceberam que o seu negócio passa pelas pessoas (apesar de ser aparentemente um negócio de animais 😉 !!!) – e esta clarividência é de saudar!
  • Que neste sector há a consciência clara que a crise não é desculpa para abandonar o investimento na formação e aprendizagem! Antes pelo contrário: é pretexto para reforçar esse investimento, uma vez que a competitividade sustentável passa pela capacidade de gerar inovação (permanente) e relação com os stakeholders (e isso depende de pessoas qualificadas e motivadas);

A segunda grande surpresa que tive foi com o nível de qualidade dos profissionais que encontrei:

  • ao contrário da ideia feita que poderá ainda prevalecer, a pecuária em Portugal é um sector de actividade moderno e sofisticado, com elevado nível de exigência profissional, onde trabalham pessoas com elevados níveis de qualificação;
  • ao contrário do que se poderia pensar, os profissionais da área estão menos preocupados com potenciais subsídios do Estado e mais focados em como ser competitivos e em como criar valor!

E estas surpresas são um estímulo para quem, como eu, teima em acreditar no potencial deste país 🙂

Crise? Depende em grande parte de nós ver nela uma inevitabilidade ou um obstáculo a superar

O que estão a fazer neste momento? A queixar-se ou a agir?

Abraços e votos de boa reflexão 🙂

Reflexões, Trends

Nós e a Crise – II

Não resisto a recomendar a leitura do excelente artigo do actual Bastonário da Ordem dos Economistas, Francisco Murteira Nabo, que saiu hoje no Diário Económico, intitulado “Profetas da Crise”.

Nele o autor argumenta de forma simples e lúcida que o que falta neste momento ao país é que nos deixem trabalhar em sossego, criando valor e não perdendo tempo com ataques de pânico resultantes de mera actividade especulativa.

Como diz Murteira Nabo, “…dou razão ao ministro das Finanças alemão, quando diz “que basta”, porque as medidas já tomadas pelos países na Europa são por si só já suficientes para restabelecer os necessários equilíbrios financeiros, pelo que o que importa agora é “ter cabeça fria” e firmeza para a sua implementação com sucesso, dando aos países condições e tempo para esperar pelos seus efeitos.”

A verdade é que eu, como empresário, não poderia estar mais de acordo: há que dar tempo ao tempo, há que ter calma e trabalhar, há que fazer negócios e gerar emprego, sem que tenhamos de estar todos os dias de coração na mão a pensar como será o financiamento da banca às empresas.

Que muitos se possam juntar a Francisco Murteira Nabo neste apelo, para que as empresas e os empreendedores deste tão válido país possam ter tempo e espaço para fazer o que sabem fazer melhor: criar valor!

Abraços e votos de boa reflexão! 😉

Para o rol de queixosos do costume que pululam em comentários negativos ao artigo de Murteira Nabo, dedico este pequeno vídeo da Leila Navarro, sobre Talento à prova de Crise (vejam as outras 8 partes desta entrevista no Youtube, que vale a pena):

Reflexões, Trends

Nós e a Crise – I

Ando já há algum tempo para escrever este post, mas a crise não me tem deixado ter tempo para isso.

É verdade: o principal efeito da crise é estar cheio de trabalho, razão pela qual já não postava no Mentes Brilhantes há mais de mês e meio!

A ajudar a isto está a natureza das minhas duas profissões:

  • consultor – alguém que ajuda pessoas e organizações a resolver problemas e a desenvolverem-se;
  • professor (universitário) – alguém que ajuda profissionais a desenvolverem-se através da aquisição de novos conhecimentos e perspectivas;

Sim, sem dúvida que estas são actividades profissionais que podem transformar a crise num manancial de oportunidades, mas não são, por definição, à prova de crise!

Então o que pode levar-nos a estar imunes à crise actual? Na minha perspectiva, a receita para um bom “sistema imunitário” passa por:

  1. Capacidade de reinventar constantemente a nossa proposta de valor, ou seja, de perceber o que está a mudar no mercado em que estamos, o que os nossos “clientes” procuram (sejam mesmo clientes ou potenciais empregadores), e como podemos satisfazer as suas necessidades (de forma original, apelativa e mais flexível/competitiva). Diz-me a experiência recente que, no seio desta crise, há dois tipos de pessoas: i) as que se queixam da situação e que ficam à espera que passe; ii) as que já lutavam para ser competitivas antes da cris e e que ainda não tiveram tempo de dar por ela;
  2. Elevadíssimo rigor na gestão do negócio – seja ele negócio próprio ou gerido por mandato de terceiros. Isto não se deve confundir com “febre de redução de custos”, que tem levado muitas organizações à anorexia organizacional. Mas significa que só devemos criar custos com a garantia firme de geração de proveitos. Em caso de dúvida, deveremos ter a imaginação de desenhar modelos de trabalho suficientemente flexíveis para que o risco operacional seja partilhado por todos os intervenientes na cadeia de valor;
  3. Obsessão pela qualificação, aprendizagem, actualização e informação – ou seja, garantir que estamos sempre na posse do conhecimento indispensável para que possamos continuar a ser excelentes e a inovar;
  4. Profissionalismo na gestão da marca – seja ela corporativa ou pessoal, a nossa marca, o nosso prestígio e a nossa reputação são o nosso valor percebido no mercado. Devemos cuidar dela com tanto ou mais cuidado com que cuidaríamos de um bonsai… pois sem ela não teremos procura para a nossa oferta (pelo menos de forma consistente e sustentada);
  5. Optimismo e energia positiva – ou seja, acreditar na nossa proposta de valor, e transmitir essa crença à nossa equipa e aos nossos clientes, criando um efeito de “contágio positivo” que alavanca de forma determinante a produtividade profissional e a dinâmica comercial.

Esta tem sido a receita que tenho aplicado, e que tem feito de 2010 um ano excelente em termos profissionais.

Sei que muitos terão tido a infelicidade de perder o seu emprego. A esses, acrescentaria um sexto princípio: nunca parar! Façam coisas, mesmo que isso implique actividade não remunerada!

A inactividade é uma espiral descendente e depressiva da qual é muito difícil sair. Façam voluntariado, abram um pequeno negócio (mesmo que seja apenas para enquadrar com uma “marca” a vossa actividade como profissionais independentes), mas nunca, nunca fiquem parados: não fica bem no CV e não faz bem à auto-estima 😉

Descubram o vosso talento e apliquem-no, seja ele qual for. A probabilidade de termos sucesso a fazer o que gostamos é grande, pois tendemos a ser melhores a fazer aquilo que gostamos (e esta recomendação vale para todos).

A crise não está aí para todos: apenas para quem desiste…

Votos de boa reflexão e toca a partir para a luta: nada como uma boa crise para distinguir (a bold) os competentes e talentosos!

Sobre este tema deixo-vos dois artigos inspiradores:

Cultivar talentos na crise

As dificuldades da gestão de talentos em épocas de crise

Reflexões

Envelhecer com Talento

Surge este post da leitura de um genial artigo de opinião do Francesco Alberoni, intitulado “Para nos mantermos sempre jovens temos de abrir o coração e a mente“.

Nesta brilhante peça, o autor relembra algumas verdades essenciais da vida, elencando de forma sistemática como se pode envelhecer com talento.

Envelhecer é um tema pouco popular nas sociedades modernas, que cultivam a “eterna juventude”, o hedonismo fácil e o culto do corpo perfeito.

A palavra “velho” é vista como depreciativa, e o tema envelhecer é sistematicamente conversado como se fosse uma antecâmara de uma qualquer situação depressiva. Muito provavelmente porque se encara o envelhecimento como um processo de degeneração, uma “caminhada para o fim”.

Ora bem, é nestas alturas que me recordo de uma frase que um tio meu usava: “envelhecer é a única maneira conhecida até hoje de viver muito tempo”.

Pois é, esta é uma velha e sábia verdade que permanece actual, sendo que o mais importante da mesma é a palavra viver.

Alberoni refere no seu artigo que envelhecer é evoluir. Nada mais certo. E por isso mesmo não tem de ser uma coisa má. Apenas a vemos assim porque nos agarramos ao passado, a uma imagem de perfeição da juventude e nos recusamos a lidar com as transformações que vamos vivendo.

Na verdade, à medida que envelhecemos, ganhamos experiência e sabedoria, ganhamos serenidade e distanciamento, o que nos permite por exemplo tomar melhores decisões em menos tempo ou aprender com maior facilidade, uma vez que ancoramos as novas aprendizagens no conhecimento até então acumulado.

É por isso que voltar à escola já com alguns cabelos brancos pode ser uma aventura emocionante, como já testemunhou entusiasticamente o meu amigo Pedro Rebelo, que após ceder às solicitações dos chatos dos amigos (entre os quais eu), lá voltou à universidade para acabar a licenciatura e está a gostar (e muito!). Eis um bom exemplo de como se pode envelhecer/evoluir com talento 😉

Mesmo a natural diminuição de velocidade com que as nossas sinapses neuronais processam a informação pode ser compensada com a acumulação de experiência: a isso chamamos estratégias de compensação. Recordo-me a propósito da história do famoso pianista que, querendo continuar a tocar apesar da sua avançada idade, adoptou a estratégia de reduzir o seu reportório a meia dúzia de peças, as quais praticava religiosamente todos os dias e as quais tocava num compasso imperceptivelmente mais lento do que era suposto. Com esta estratégia de compensação, tocou até ao fim da sua proveitosa vida.

Isto implica a sensatez de perceber os nossos limites mas também a ousadia de aceitar as nossas potencialidades. Ao acreditarmos que somos capazes de ir mais longe estamos a “exercitar-nos” nas nossas capacidades de realização, o que aumenta a nossa potencial longevidade funcional.

Por isso devemos envelhecer cultivando algumas características que temos desde crianças: a curiosidade, a alegria da descoberta e da aprendizagem, a abertura de espírito, o gosto pelos relacionamentos e o bom humor.

No fim do dia, todos eles são condimentos do talento…

Nos últimos tempos tenho participado em vários almoços e jantares de convívio entre velhos colegas de escola ou de associativismo estudantil. Revemos caras que não víamos há mais de 20 anos e espantamo-nos como o tempo passou depressa.

Curiosamente… achei imensamente divertido! De facto, dou por mim a constatar que envelheço com alegria, pois acumulo muitas histórias para contar e sinto que hoje sou uma pessoa melhor que fui no passado.

Saber assim envelhecer com um espírito jovem é um privilégio do qual não deveríamos abdicar: acreditem que é muito gratificante e produtivo.

São muitos os exemplos em que nos poderemos inspirar para envelhecer com talento:

  1. Entre os já desaparecidos, gostaria de destacar exemplos como os de Carl Sagan, Albert Einstein, Raul Solnado ou Vasco Granja;
  2. Entre os que ainda estão connosco, ocorrem-me nomes como os do incansável Mário Soares (com as suas sonecas), Manuel de Oliveira, Adriano Moreira, Mário Murteira ou a sempre alegre e dinâmica Márcia Trigo (para mais exemplos cf. meu post “O Talento não tem Idade“)

Não quero por fim deixar de referir os meus mais importantes exemplos: os meus pais. Com uma idade já avançada, ainda namoram com alegria e ainda permanecem curiosos e interessados face ao mundo, apesar das contrariedades da idade. Vivem a vida com alegria e com os olhos sempre postos no futuro. São sem dúvida os meus “heróis de todos os dias”.

Saibamos ser assim ao longo do tempo;-)

Votos de boa reflexão!

Reflexões, Trends

As Múltiplas Inteligências na Educação: um desafio ao talento

Surge este post de uma reflexão que fiz sobre educação, a convite da escola do meu filho mais velho. A questão que constitui o ponto de partida para esta reflexão é:

Considerando que fazer dos nossos filhos pessoas melhores é a missão mais relevante que temos enquanto seres humanos, muitos de nós dão por si perante uma enorme angústia: como cumprir este propósito da melhor forma?

A tendência para um ensino tendencialmente universal e a pressão para uma vida profissional cada vez mais preenchida, leva-nos muitas vezes a acomodar-nos em premissas falsas, mas psicologicamente confortáveis:

  • uma delas é a de que a missão de educar os nossos filhos compete à escola (pelo que, se escolhermos uma boa escola, podemos suspirar de alívio e esperar pelos resultados, libertando tempo para outras obrigações).
  • Outra é a de que a educação para os tempos modernos apenas exige elevada competitividade, com um plano curricular completo, variado e exigente (em que as crianças são pressionadas para a excelência em todos os domínios e de sol a sol).

Estes pressupostos são, na minha opinião, absolutamente falsos:

  • educar é uma missão partilhada entre vários agentes educativos, sendo que os pais são uma peça-chave da equação, devendo assegurar a articulação com a escola no acto de educar e não cedendo a qualquer “economia de atenção” neste domínio (educar é uma missão, e não uma obrigação, logo não é delegável);
  • a preparação para um futuro incerto e competitivo não se consegue através de um aumento do volume de actividades curriculares e extra-curriculares, sob pena de estarmos a criar “futuros executivos stressados e frustrados”, em vez de pessoas equilibradas e preparadas para os verdadeiros desafios que enfrentarão.

E como podem os diversos agentes educativos preparar melhor as nossas crianças para o futuro?

De muitas formas, mas focaremos aqui apenas uma delas: a forma como desenvolvemos as múltiplas inteligências que (todos) nós temos.

Atenção que não me refiro à Teoria da Múltiplas Inteligências do brilhante Howard Gardner, que me merece toda a simpatia, mas que não é o objecto deste post! Refiro-me, isso sim, à abordagem triárquica da inteligência, mais conhecida como Inteligência de Sucesso, do meu estimado Robert Sternberg.

Feito este esclarecimento, passemos a explicar a ideia:

Habitualmente, o contexto escolar centra-se no desenvolvimento da chamada “inteligência clássica”, também conhecida por inteligência analítica ou académica, medida tradicionalmente pelos teste de Quociente de Inteligência (QI). Todavia, este tipo de inteligência, certamente relevante, tem por característica permitir-nos resolver problemas bem definidos, sobre os quais temos toda a informação necessária e para o qual só há uma resposta certa (tipicamente os problemas que aprendemos a resolver na escola).

Ora sucede que fora do contexto escolar as coisas são por vezes diferentes: muitas vezes os problemas com que nos deparamos não têm uma formulação precisa, a informação disponível é apenas parcial (ou “digitalmente excessiva”) e o problema muitas vezes tem mais do que uma resposta certa!

E é para este novo paradigma que a educação formal (escola) e informal (pais) têm de estar preparados.

Como? Sabendo estimular os outros dois tipos de inteligência (Sternberg, 2005) que os nossos filhos necessitam de treinar:

  • a “inteligência criativa”, ou seja, a capacidade de encontrar respostas novas para os problemas e a capacidade de identificar novos problemas para resolver (e isto, mais do que usar as capacidades declarativas, implica treinar as capacidades interrogativas, ou seja, a capacidade de observar, ter juízo crítico e fazer boas perguntas!);
  • a “inteligência prática”, ou seja, a capacidade de mobilizar recursos e vontades para colocar em prática uma solução para determinado problema (o que exige boa gestão emocional, resiliência, iniciativa e competências sociais).

Posto isto, urge perguntar: Significa isto que estudar é insuficiente?

… a resposta é SIM!

É preciso saber estudar em grupo, produzir colectivamente, ter espaço para pensar e experimentar e tolerar a frustração e a diferença.

É preciso conviver e brincar também, e tudo isto com professores e pais…

Já repararam que à medida que vamos crescendo vamos perdendo a capacidade espontânea de simplesmente questionar PORQUÊ? (cf. meu post sobre Educar Funcionários ou Empreendedores)…

Já pensaram como somos educados para a conformidade e a obediência, desincentivando o sentido crítico e a capacidade de pensar “out of the box”? (cf. meu artigo “A Pesada Herança de Roma”)...

… e assim se podem “matar” os talentos que temos dentro de nós (cf. meu post sobre Talentologia)…

Sobre as novas formas de educar com as múltiplas inteligências falaremos oportunamente.

Deixo-vos com alguns vídeos sobre o tema.

Enjoy it! 😉

Eventos, Factos, Trends

Portugal no seu melhor!

Continuando a onda positiva com que quis abrir o ano de 2010,  quero partilhar convosco dois casos do que se faz de melhor no nosso país, e que provam que as novas gerações são muito mais prometedoras do que alguns arautos da desgraça nos querem fazer crer!

Deixem-me falar-vos primeiro da Liliana Fernandes: esta jovem de 28 anos mudou-se há um ano para Fontainebleau, para fazer o MBA do INSEAD. Nesse âmbito desenvolveu um projecto empresarial na área das telecomunicações, cuja qualidade a levou a conquistar o terceiro lugar no INSEAD Business Venture Competition, entre 480 alunos de todo o mundo (ver notícia).

A história da Liliana ilustra o perfil dos talentos do futuro: está recheada de ambição, cosmopolitismo e determinação.

Licenciou-se em Economia na Nova em 2003 e fez Erasmus na Holanda. Começou a carreira na Deloitte e em 2005 volta à universidade, para uma pós-graduação em Finanças. Em 2006 lança-se na sua “aventura global”, indo trabalhar para a Greenwich Consulting, Em Paris e Bruxelas. Em 2007 regressa a Portugal, indo para a KPMG e em 2009 vai então para Fontainebleau, para o MBA do INSEAD.

A partir de agora, a Liliana integra a lista de honra dos alumni de uma das mais prestigiadas business shools do mundo. Parabéns, Liliana!

O outro caso que vos trago é o da Margarida Melo, jovem investigadora e docente portuguesa da Universidade de Coimbra que, com apenas 29 anos, ganhou o Prémio Michelle Cuozzo, da Università degli Studi di Roma (ver notícia).

Margarida Melo desenvolveu a sua tese de doutoramento na área da Geometria Algébrica, tendo desenvolvido uma aplicação informática para reforçar a segurança de comunicações encriptadas.

O prémio, que  atinge um valor de 12 mil euros, visa recompensar o trabalho desta investigadora que, desde há 4 anos, reforça a equipa do Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Parabéns, Margarida!

Desafios, Eventos, Trends

Fundação Talento: construir o futuro de Portugal

Estive ontem no jantar de lançamento da Fundação Talento em Lisboa. Foi um prazer e uma honra fazer parte desta iniciativa, um verdadeiro movimento da sociedade civil ao serviço do futuro de Portugal.

Antes de mais quero deixar uma palavra de apreço e admiração para o meu amigo Tiago Forjaz, um dos maiores visionários da minha geração, que ousa sonhar em grande e que se atreve a ser consequente, empreendendo.

O Tiago teve um sonho: fazer do talento a força motriz da competitividade do nosso país. Contra todos os “velhos do Restelo”, contra todas as adversidades, o Tiago tem vindo a construir este sonho nos últimos anos:

  • Primeiro com a iniciativa Star Tracking – a Odisseia do Talento, uma já lendária jornada pela diáspora em que descobriu o imenso talento português espalhado pelo mundo;
  • Depois criando a rede The Star Tracker – a mais inovadora e exclusiva das redes sociais e globais de talento português, com o propósito de ligar o talento espalhado pelo mundo, que ontem já congregava mais de 31.000 membros e, a partir de hoje, sabe-se lá quantos mais (sim: finalmente já podemos convidar talento sem restrições numéricas!);
  • Agora lançando a Fundação Talento, cuja missão é descobrir e apoiar o talento português, transformando-o na nossa imagem de marca no mundo.

Os trabalhos ainda agora começaram: os mais de 600 fundadores que se juntaram em 15 cidades do mundo já contribuíram com centenas de referenciações de talentos a apoiar e de talentos a convidar para Senadores da Fundação.

Mas este esforço de mapeamento agora é global: toda a sociedade civil pode participar!

Por isso, meus amigos, vamos a isso! A Fundação Talento precisa do vosso contributo!

Ao Tiago o meu grande abraço: parabéns pela iniciativa e continua a sonhar! Só assim construímos o Portugal dos nossos filhos…

Deixo-vos com alguns vídeos relacionados com o tema.

Enjoy it 😉

Reflexões

Elevação: o talento também tem um imperativo moral…

Surge este post de um artigo de opinião do genial Francesco Alberoni, intitulado “A boa gestão foi suplantada pelos interesses privados”.

Neste artigo, Alberoni faz uma reflexão sobre o potencial de criação de valor que se poderia aproveitar quando há o devido alinhamento entre a liderança, a organização e a gestão.

Dissecando o que deverão ser as práticas virtuosas nas três dimensões referidas, Alberoni acaba por destacar a importância da genuinidade de quem proclama uma visão, da resiliência de quem a implementa, bem como da elevação que o exercício da gestão exige, sobrepondo o bem comum ao ganho individual (o que leva ao repúdio das “hidden agendas” de certos gestores, mais preocupados com a gestão do poder nas empresas) – cf. o meu post “Inteligência Emocional na Gestão dos Talentos“.

Uma gestão virtuosa, produto do exercício de um líder talentoso, obedece pois também a este imperativo moral, que gera o reconhecimento necessário para que haja uma boa “seguidança” 🙂

Votos de boa leitura 😉