Planalto da Lunda
Instantâneo tirado a caminho da Catoca

Escrevo este post no planalto da Lunda, mais concretamente no complexo da Sociedade Mineira da Catoca, uma diamantífera próxima da localidade de Saurimo, perto da fronteira nordeste de Angola.

Chegar cá foi uma verdadeira jornada, num total de nove horas de avião, três escalas e muito espírito aventureiro à mistura com alegria e boa disposição, tão típicos deste grande povo angolano, que tão bem me recebe sempre que venho cá em missão!
Esta é a primeira vez que venho a Angola e saio do perímetro metropolitano de Luanda. Apesar de continuar a viajar em missão de trabalho, esta viagem ajudou-me a ver um pouco da Angola profunda, que não se vê em Luanda.
Quem conhece Luanda sabe que é uma imensa metrópole, sobrepopulada, que alia à sua beleza típica da zona histórica e da baía o preço da centralidade: tráfego infernal, grande agitação, a par com um ritmo de desenvolvimento avassalador.
Saindo de Luanda, continuamos a observar uma nação com uma dinâmica de crescimento impressionante, mas ajustada a um ritmo de vida mais tranquilo, apesar de alegre e animado.
Pude observar grandes extensões de paisagem natural de imensa beleza, tive um vislumbre de pequenas aldeolas feitas de cubatas tradicionais, vi crianças a brincar alegremente ao ar livre, mas também vi (muitas) mulheres a lavar roupa num riacho, fruto de um desenvolvimento que ainda tem muito para dar às populações do interior.
Conheci Saurimo, uma pequena cidade, bonita e bem conservada, exemplo de como se pode ter um estilo de vida mais pacato sem que isso signifique menos desenvolvimento. E estou presentemente a conhecer um potentado da indústria mineira, fruto de um consórcio entre quatro grandes empresas multinacionais, de origens tão diversas como Angola, Rússia ou Brasil.
É impressionante constatar como uma unidade industrial que não se limita a explorar o seu negócio se pode tornar um motor de desenvolvimento para uma região inteira. A Catoca, para além de dar emprego à população local, tem projectos inovadores ao nivel ambiental, nomeadamente no que diz respeito ao tratamento de água, contribuindo para a melhoria do nível de vida da população.
Mas não se fica por aí. Tive oportunidade de ver, a caminho de cá, algumas das diversas escolas primárias construídas e oferecidas pela Catoca às localidades circundantes, contribuindo assim para a formação de mais de 2000 crianças na região.
Notável é também o esforço e o investimento colocado na formação e qualificação dos seus quadros, razão aliás que me trouxe a este fantástico ponto do mundo. Nos próximos dias irei ter oportunidade de conhecer melhor a fibra desta gente notável que, aqui no meio do planalto da Lunda, constrói o futuro todos os dias. Estou certo que vai ser emocionante 😉

4 thoughts on “Angola profunda

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