Surge este post da leitura de um artigo muito interessante da Harvard Business School, intitulado “Five Discovery Skills that Distinguish Great Innovators“, e que apresenta o excelente livro de Jeff Dyer, Hal Gergersen, e Clayton M. Christensen, com o apelativo título de “The Innovator’s DNA“.

Neste livro, os autores divulgam as suas principais conclusões relativas à criatividade e inovação, lançando algumas pedradas no charco relativamente a algumas ideias feitas.

A primeira ideia feita a ser questionada prende-se precisamente com o carácter quase “iluminado” da criatividade, segundo as suas concepções mais populares.

Os lugares comuns apontam a criatividade como um “dom” que só alguns têm a sorte de possuir, como algo que é herdado pelo código genético que nos define ou como algo que deriva do chamado “factor geral de inteligência”, que é segundo os autores que defendem esta teoria da inteligência, a explicação para as nossas capacidades cognitivas, que seriam em grande parte herdadas.

Ora os estudos mais recentes feitos a este nível provam que apenas 30% da produção criativa pode ser explicado por factores herdados, o que evidencia que a criatividade pode, em grande medida, ser aprendida, treinada e praticada!

Já desde há mais de 20 anos que o conceituado Robert Sternberg  defende esta perspectiva, no seu modelo triárquico da inteligência, em que a inteligência criativa assume um papel destacado. Mas é sempre bom haver mais estudos que comprovam empiricamente esta concepção de inteligência como um conceito dinâmico e desenvolvimental.

Assumido o pressuposto de que a criatividade pode ser aprendida, treinada e desenvolvida, os autores partem para as cinco disciplinas dos inovadores, ou seja, as cinco skills que podem ser treinadas e que distinguem os grandes inovadores dos restantes indivíduos.

As cinco disciplinas dos inovadores, segundo os autores são:

  1. Associating – esta é a skill central dos inovadores, ou seja, a capacidade de associar ideias e conceitos por forma a produzir novas construções, novos modelos e respostas, que muitas vezes derivam de associações não tradicionais, oriundas de disciplinas distintas, resultando numa conjugação eclética também conhecida como “efeito Medici“. Associar é aquilo que Steve Jobs referiu como “connecting the dots“…
  2. Questioning – uma das capacidades centrais dos criativos e inovadores consiste na capacidade de fazer boas perguntas. Praticar a arte de questionar de forma sistemática e construtiva, procurando compreender o porquê das coisas, com mente aberta e espírito crítico conjugados, é uma das formas mais eficazes de poder associar ideias e conceitos de forma produtiva. Quem não questiona não aprende e não conhece, como já o velho Sócrates sabia 😉
  3. Observing – perguntar sem observar é como conhecer apenas as coisas superficialmente. A curiosidade de um bom perguntador só pode ser eficazmente alimentada pela sgacidade de um bom observador. A arte de observar implica a conjugação da disciplina da atenção (tão dispersa no nosso mundo global e digital), com as disciplinas da paciência e da persistência (que permita uma observação consistente, profunda e não “apressada”).
  4. Networking – os grandes inovadores não funcionam em circuito fechado, como já vimos em anteriores posts… o ser criativo é um ser aberto ao mundo, sedento de aprendizagem e partilha. Assim, a capacidade de gerar boas redes de conhecimento são uma condição indispensável para a criação de alto valor acrescentado – algo a que se pode chamar inovação colaborativa
  5. Experimenting – por fim, a quinta disciplina dos grandes inovadores é a experimentação, ou seja, a capacidade de passar à prática novas ideias e testá-las. Algo a que Robert Sternberg chamaria de inteligência prática

Deixo-vos ainda um link para um primeiro artigo do INSEAD  sobre este excelente livro, outro link para uma excelente sinopse do livro com um vídeo do autor, e por fim com um vídeo interessante sobre o tema e um dos seus autores.

Enjoy it 😉

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