hero_95Ainda a propósito das Conferências na Lusófona, devo confessar que gostei particularmente da intervenção do meu amigo Tiago Forjaz.

O Tiago é daquelas pessoas que nunca nos é indiferente. A sua curiosidade, a sua inquietude intelectual e o desassombro com que exprime as suas ideias fazem com que nunca seja para nós um personagem a preto e branco (apesar da foto dele no site 😉 ).

Na sua intervenção, o Tiago falou naturalmente sobre talento. E focou um aspecto que cada vez se torna mais importante e com o qual cada vez mais concordo…

... dizia a certa altura o Tiago que achava um disparate a ideia, tão popularizada desde o famoso estudo The War for Talent da McKinsey, de que o talento era escasso.

Esta ideia, baseada num mindset desenvolvido numa óptica económica de escassez, faz com que encaremos o talento como algo raro, que só alguns eleitos têm, e pelo qual as organizações têm de lutar (cada vez mais ferozmente).

Esta ideia tem sido fortemente popularizada, dando origem a abordagens de gestão do talento famosas, como a “9 boxes approach” da McKinsey, adoptada em empresas tão famosas como a General Electric (deixo-vos aqui um site sobre o tema e ainda um white paper).

Todavia, esta abordagem tem sido fortemente contestada nos últimos anos, pelos fracos resultados obtidos (cf. estudo do Corporate Leadership Council). Autores consagrados como o Professor Jeffrey Pfeffer defendem que o talento é algo que todos têm de alguma forma, e que o verdadeiro desafio é conseguir que todas as pessoas (pessoas normais), numa organização, produzam resultados extraordinários – cf. o meu post Back to Basics.

Esta abordagem, defendida brilhantemente pelo Tiago desde que fundou a Jason, vai de encontro à perspectiva inclusiva de talento, que eu também defendo já há alguns anos – cf. o meu post Efeito Laplace. Para esta perspectiva contribuiu fortemente a noção de que o talento é efémero, uma vez que resulta do seu valor transaccional, ou seja, do valor atribuído a algo que fazemo numa organização, num dado momento, num dado contexto.

Esta noção foi-me dada por um artigo científico, escrito por Sasha Barab e  Jonathan Plucker, da Universidade do Indiana, intitulado “Smart People or Smart Contexts?”. Recomendo vivamente a sua leitura – este artigo mudou a minha forma de ver o talento de uma forma irreversível, e fez-me perceber como podemos ser um talento à 6ª feira na organização a e não o ser de todo na segunda feira seguinte, se essa organização tiver sido comprada pela organização b!

Recomendo ainda que espreitem o novo site da Jason Associates, lançado esta segunda feira e que expressa esta nova forma de olhar o talento, e que leiam o fantástico artigo do Tiago, intitulado “Talentologia”

Sobre este artigo voltarei a falar mais tarde 😉 Ficam para já os parabéns ao Tiago por continuar a marcar o ritmo da inovação no talent management e por definir novas tendências. A comunidade de talento agradece 🙂

Votos de boa leitura 😉

5 thoughts on “Talentologia – parte I

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