complexity_1Não posso deixar de referenciar um excelente post que li há algum tempo no blog Ideias Em Série, intitulado Complexidade e “Governo 2.0”, que nos relata, de forma clara e ilustrativa, como os paradigmas mudam de forma assombrosa nos tempos exponenciais que vivemos.

Estes tempos de mudança acelerada são tempos de grande complexidade, em que os padrões que nos regem resultam mais da interacção dos diversos agentes do que de um plano deliberado. O advento da Web 2.0 e a literacia digital das novas “gerações Magalhães” são disso exemplos marcantes: exemplos de como a realidade ultrapassa muitas vezes a nossa mente, seja em criatividade, seja em velocidade (isto para não dar como exemplo o já tristemente clássico tsunami do sub-prime e a crise que aí veio e virá…).

Isto cria assim um dilema angustiante: se o que acontece não resulta de um planeamento deliberado, mas sim de uma interacção dinâmica de diversos agentes, então como podemos gerir neste contexto de risco e de incerteza? Valerá de algo tentar gerir?

Na minha opinião, sim. Todavia, implica gerir de uma forma diferente. Diferente porque assenta no paradigma criativo, em vez de assentar no paradigma burocrático.

A maioria de nós foi educada e treinada a trabalhar com base no paradigma burocrático, em que um conjunto de regras bem definidas, em função de uma arquitectura hierárquica clara e de um plano rigorosamente estabelecido, garantiria o alcance dos objectivos. Esta “ordem organizacional”, em grande parte inspirada em Max Weber, funcionou relativamente bem em ambientes razoavelmente estáveis, em que a mudança acontecia lentamente e as variáveis eram também elas fáceis de controlar e gerir, permitindo a previsão como base de trabalho do estabelecimento das premissas de qualquer plano.

Ora o que hoje se passa é precisamente o contrário. A crise que enfrentamos é disso prova gritante: as premissas mudam todos os dias e os efeitos de dominó são exponenciais (assumindo contornos de butterfly effect – cf. post Girl Effect). Neste contexto, tentar controlar todas as variáveis é como tentar parar uma onda com as mãos, por muito que a tentação do controle exista – cf. o meu post Controlholics.

Quer isto dizer que nos devemos resignar ao caos da complexidade, assumindo uma posição de laissez faire? Não, de todo! Na minha perspectiva, há que gerir considerando novas variáveis de gestão, a saber:

  • o talento como factor diferenciador de uma força de trabalho baseada em conhecimento;
  • o potencial produtivo como algo que depende da vontade de cada um em disponibilizá-lo;
  • a criação em conjunto e em rede como factor potenciador da qualidade e velocidade dos resultados;
  • a interdependência à escala global como uma constante de um contexto permanentemente em evolução;
  • a consequente necessidade de olhar permanentemente para a envolvente externa e para o ajuste interno das organizações a essa envolvente;

Tendo em consideração estas premissas, é possível ao gestor tomar a iniciativa de inovar em tempo real, antecipando tendências e satisfazendo necessidades emergentes (aproveitando assim oportunidades que outros ainda não detectaram).

Ao fazê-lo, está:

  • a operar em terrenos em que a competição é menos consumidora de recursos, numa lógica blue ocean;
  • ao tomar a iniciativa está a modelar o contexto actual e o futuro, numa lógica de architectural advantage;
  • ao modelar o contexto, está a ganhar a vantagem de influenciar as regras do jogo em que vai competir, numa lógica de game changing strategy.

Desta forma o gestor reduz as margens de incerteza do seu negócio, reduzindo o seu risco de operação sem ter a pretensão de o eliminar ou de controlar todos os factores. Implica isto que o controle morreu? Claro que não.

A capacidade de antecipar tendências e de conseguir um ajustamento ao mercado em tempo real é algo que se consegue com um exame rigoroso ao mercado, com sistemas de CRM eficientes e com abordagens e práticas de controlo de gestão que permitam analisar indicadores de negócio em real time, numa lógica de fast scorecard.

Não fazemos todavia já isto? Sim, em muitos casos é verdade. Mas também é verdade que em muitos casos isto se faz transformando a ferramenta num fim em si mesmo, ou seja, fazendo do controlo o foco da gestão, em vez de o mesmo estar no processo de tomada de decisão, no empreendedorismo, no negócio, em suma, na criação de valor.

Votos de boa reflexão 🙂

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