grupo_nuclearSurge-me este post graças a um comentário da Ana Neves, do portal KMOL, ao meu post “Sobre argumentos de autoridade…”.

Nesse comentário, a Ana remete para um post escrito por ela, intitulado “Who Really Matters: The Core Group Theory of Power, Privilege, and Success”. Este é um post interessantíssimo, que recomendo vivamente, e que nos introduz o conceito de grupo nuclear.

E o que é o grupo nuclear? É o grupo de pessoas que verdadeiramente interessa nas organizações.

Este é um conceito novo, muito interessante e extremamente inquietante, especialmente porque muitos de nós já o conheciam intuitivamente da sua experiência profissional…

Este conceito explica a existência de um “inner circle” de pessoas que determina o que se passa na organização, que tem influência e que representa o “ADN corporativo” preconizado pelo líder da organização.

Esse núcleo duro não corresponde necessariamente ao grupo formal de management da organização, pelo que, apesar de poder haver alguma “sobreposição” (natural, aliás), a verdade é que podem fazer parte desse “inner circle” pessoas com diversos posicionamentos na estrutura hierárquica (o denominador comum é fazerem parte do grupo de confiança do líder).

Este “inner circle” tende a existir em todas as organizações, podendo ter efeitos positivos ou negativos na gestão do talento em função da forma como são construídos e alimentados.

Se tiverem como base apenas a manutenção das posições de poder (formais ou informais), numa lógica de “elite exclusiva” (nós contra os outros), então o efeito será devastador para a gestão do talento – cf. o meu artigo “A Pesada Herança de Roma” e o meu post “O Paradoxo de Ícaro“.

Se o “inner circle” servir como pólo aglutinador de condutas positivas, reforço do exemplo dado pelo líder e catalizador das mensagens-chave da organização, então o efeito será precisamente o de enabler da gestão do talento.

Sobre este tipo de conduta não quero deixar de citar um excelente artigo do Arménio Rego, intitulado “O que fazem os líderes eficazes?“, onde ele sintetiza de forma brilhante as condutas virtuosas que este “inner circle” pode assumir, em torno dos líderes organizacionais. Publicado online há algum tempo, é um dos muitos artigos que compõem esse fabuloso mind snack chamado “Gestão em Pequenas Doses“.

Votos de boa reflexão e boa leitura 🙂

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3 thoughts on “Grupos nucleares e a gestão do talento

  1. Ricardo, permita discordar de uma coisa que diz.

    “Este conceito explica a existência de um “inner circle” de pessoas que determina o que se passa na organização, que tem influência e que representa o “ADN corporativo” preconizado pelo líder da organização.”

    Eu penso que o “inner circle” possa ser constituído também por pessoas que têm influência mas que não estão necessariamente do lado do líder e que podem mesmo usar a sua influência para minar os esforços do líder.

    Em organizações privadas isto poderá ser mais difícil de acontecer (ou não) já que a porta da rua pode abrir-se facilmente mas nas organizações públicas penso que isto, infelizmente, não é um cenário assim tão improvável. Líderes (locais), apartidários ou do partido A, que lutam contra um “inner circle” de pessoas, hierarquicamente abaixo de si, e que apoiantes do partido B fazem o possível e o impossível para conduzir a organização numa direcção diferente.

    Estou a ser muito cínica?

  2. Olá Ana! Não está de todo a ser muito cínica!

    Deu foi uma nova perspectiva a esta reflexão. De facto, o meu pensamento tende a ser influenciado pela minha experiência profissional, que se passou toda (19 anos) no sector privado 🙂

    Assim, o insight que generosamente nos ofereceu não podia estar mais correcto e eu não poderia estar mais de acordo. Apenas me esqueço por vezes que há vida para lá das empresas privadas 😉

    Obrigado e um abraço,

    Ricardo

  3. Pois… eu feliz (ou infelizmente) já trabalhei em empresas privadas e organizações públicas e, como consultora, com empresas públicas e privadas. Trabalhar dentro da organização ou de fora com a organização dá perspectivas diferentes. É muito interessante. E como eu tenho a sorte de ter trabalhado tanto em Portugal como em Inglaterra, consigo também ver que os problemas não são só portugueses. O que é sempre bom saber e reiterar 😉

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