Acabei de descobrir um post fantástico do Jorge Nascimento Rodrigues, no blog Janela na Web, intitulado “Deixe a guerra pelos talentos na gaveta”.

Porque é este post fantástico? Porque lança uma nova perspectiva sobre a gestão do talento, indo para além da clássica abordagem nascida do estudo da McKinsey “The War for Talent”.

Este estudo, produzido nos anos 90 pela famosa consultora, lançou para as agendas estratégicas o tema do talento, criando pela primeira vez a consciência de que era premente e urgente garantir que as organizações poderiam assegurar os melhores e mais promissores colaboradores nas suas posições-chave para o futuro.

Numa lógica competitiva exigente, este paradigma foi apresentado recorrendo à metáfora da guerra: sendo o talento um recurso escasso, seria necessário lutar (aguerridamente) por ele. Esta abordagem, nascida duma visão baseada numa economia de escassez, apresenta o talento como algo que se consegue atrair, reter e desenvolver numa lógica de antagonismo e defesa dos activos intelectuais, numa postura defensiva e reactiva.

Sempre senti que essa abordagem era muito limitada, uma vez que a natureza dos talentos não se compadece com uma lógica “militar”, de protecção de fronteiras. Os talentos proliferam em contextos de liberdade e crescimento, numa lógica de cooperação e partilha – cf. o meu post O Paradoxo de Ícaro. Uma década de experiência na liderança de projectos de gestão de talentos confirma-me essa perspectiva, que é tão bem traduzida numa frase que ouvi de um brilhante executivo com quem trabalhei:

“Prefiro deixar partir um talento que fica amigo da nossa casa, do que obrigá-lo a ficar contra a sua vontade… mais tarde ou mais cedo ele acabará por partir, e quem sabe se não pode vir a ser um futuro cliente ou um prescritor de opinião. É sempre boa política fazermos amigos por onde passamos.”

Esta perspectiva, baseada numa economia de abundância, privilegia a proliferação de redes de relações positivas, que potencialmente funcionam como enablers de prosperidade, assumindo as organizações que, por vezes, existe um trade-off positivo entre capital intelectual perdido e capital social cultivado.

Este post do Jorge Nascimento Rodrigues explica-o muito bem, ainda por cima baseado num artigo científico premiado de Ian O. Williamson, em que se torna claro que a mobilidade do talento é um facto incontornável da vida (30% segundo os estudos mais recentes), sendo a prática mais frutuosa a da parceria com ex-empregados, fonte potencial de conhecimento e negócios futuros (curiosamente, uma prática excelentemente desenvolvida a nível mundial pela própria McKinsey).

Por isso: make friends, not war 😉

2 thoughts on “Make friends, not war ;-)

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