Finalmente recuperado de uma doença sazonal, volto à escrita para partilhar convosco um tópico que tem sido recorrente nas minhas inquietações sobre o talento nos dias de hoje: o facilitismo.

Sendo algo que me tem preocupado ao longo dos anos, o ímpeto para escrever este post surgiu duma conversa tida hoje com uma amiga (ela própria um talento), que desabafava comigo a sua frustração ao lidar com colegas mais jovens, constatando sistematicamente a sua tendência para recorrerem à reutilização acrítica de conhecimento já produzido por outros, em vez de o processarem de forma inteligente, gerando novo conhecimento, enriquecido pelo seu próprio pensamento.

Esta tendência para o facilitismo, a que eu optei por chamar “a maldição do copy&paste”, resulta, a meu ver, de vários factores, a saber:

  • a facilidade com que se acede à informação (o que só por si não é mau);
  • o facilitismo com que na escola se exige a produção de trabalhos, sem verificar se houve de facto “produção intelectual” do aluno;
  • o facilitismo com que os pais hoje procuram ajudar os filhos nos seus TPC’s, achando que fazer as coisas por eles da forma mais rápida possível é a melhor solução (condenando-os a prazo a uma autêntica “artrite intelectual”!!!);
  • a tendência que hoje se tem nas organizações para imitar, mais do que para inovar (parece ser mais rápido e económico).

Sobre este último ponto recomendo a leitura do paper “The Vicious Cycle of Strategic Imitation”, da London Business School, que alerta precisamente para o erro crasso que constitui a imitação, em contrapartida à inovação.

Imitar a concorrência implica sempre ir atrás dos que marcam o ritmo do mercado, entrando sempre em concorrência feroz, o que consome recursos e traz pouco retorno. 

Em contrapartida, inovar implica que o investimento feito em estabelecer novas regras e novos standards de satisfação dos clientes traz um retorno inegavelmente superior, ao marcar o ritmo do mercado e ao levar as organizações para mercados ainda por explorar – sobre este tema cf. os meus posts “Game Changing Strategies” e “Google: o exemplo de estratégia blue ocean”. 

Para tal, há que pensar pela nossa própria cabeça, estudando atentamente o que os outros fazem, não para imitá-los, mas sim para fazer diferente e melhor

Deixo-vos sobre este tema um vídeo de Tom Peters, em que ele ilustra precisamente como isto pode ser feito, relatando vários casos de empresas que o sabem fazer bem. 

Enjoy it 😉 

 

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