Chegou-me há semanas da Harvard Business School uma entrevista feita ao professor Abraham Zaleznick, sob o título “The Inner Life of Leaders”.

É uma peça de escrita interessante, especialmente pela introdução da metáfora da raposa e do ouriço no tema da liderança.

No seu livro – Hedgehogs and Foxes: Character, Leadership, and Command in Organizations -, o professor Zaleznick defende que os líderes têm de atingir aquilo a que ele chama a “independência psicológica”, condição indispensável para que possamos colocar em acção os nossos talentos e para que possamos fazer brotar o talento potencial dos membros da nossa equipa.

Esta independência psicológica passa pela capacidade de reconhecer como funciona a nossa personalidade, tentando depois usar as suas particularidades para exercer um estilo de liderança efectivo, mas ajustado às exigências específicas do contexto em que a liderança é exercida.

Significa isto o quê?

  • Que é errado pensar que o líder deve tentar mudar a sua personalidade, ajustando-a a um padrão de liderança politicamente correcto – isso não existe, e os líderes são bem sucedidos se forem autênticos na sua singularidade (sobre este tema recomendo o livro do Prof. Rob Goffee, da London Business School – Why Should Anyone Be Led by You?).
  • Que é igualmente errado assumir que, por causa da necessidade de se ser autêntico na sua singularidade, o exercício da liderança é um acto de pura liberdade comportamental e decisional, sem atender a qualquer tipo de ajustamento contingencial, assumindo uma postura que já muitas vezes vi que é a de “eu sou mesmo assim e não vou mudar, logo…”
E a metáfora da raposa e do ouriço centra-se nisso mesmo: que lider queremos ser?
  • Como um ouriço, que usa sempre a mesma forma para lidar com o meio externo (enrolando-se e colocando os espinhos de fora, numa atitude teimosamente repetitiva de defesa);
  • … ou como uma raposa, que conhece e usa várias estratégias para se adaptar ao meio, aumentando a sua capacidade de sobrevivência?
 

A resposta torna-se óbvia quando percebemos que a raposa, na sua capacidade de se reinventar, até descobre formas de caçar um ouriço 😉

E nem por isso perde a sua autenticidade e o seu estilo!!! 

Um exemplo muito interessante que é dado é o de Robert S. McNamara, Secretário de Defesa da Administração Kennedy. Fanático do controlo e da medição da performance, McNamara não hesitou em usar essa abordagem de igual forma em todos os contextos em que operou, inclusive na Guerra do Vietname. 

Neste último caso, como mais tarde reconheceu, a abordagem não foi muito bem sucedida, pois o contexto tinha exigências e especificidades que iam para lá do mero enfoque na medição e controlo… 

Uma leitura a não perder!

 

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