Recebi hoje um paper oriundo da London Business School, da autoria do Professor Michael G. Jacobides.

Este paper fala-nos do conceito de architectural advantage, ou seja, a capacidade de controlar uma indústria sem sequer ter de adquirir uma parcela significativa da mesma.

Este conceito emerge com a recente evolução económica global, em que constatamos que a prosperidade das empresas não depende apenas delas mesmas, mas sim de uma vasta e subtil rede de interdependências económicas e empresariais, ou seja, de um ecossistema empresarial.

Fenómenos recentes como a crise do sub-prime ou a emergência do outsourcing e do offshoring são exemplos de como esta dinâmica de interdependência pode ter efeitos à escala global, provocando mudanças radicais na forma como as economias evoluem e as empresas trabalham e se relacionam entre si, gerando novos modelos de criação de valor.

A competitividade hoje não depende só da capacidade de inovar no produto ou no processo, mas sim de determinar quem faz o quê e quem ganha o quê na cadeia de valor.

A recente relevância dos produtores de conteúdos na indústria da telefonia móvel é um caso evidente de como novos players podem emergir subitamente, e ter uma prosperidade á escala global absolutamente inesperada. Veja-se o caso da portuguesa Tim.We, que em pouco tempo se tornou num player mundial em conteúdos para telemóveis.

Outros exemplos podem ser dados, e que são exemplos de como empresas podem condicionar todo um sector de actividade, não porque o detenham, mas porque inovaram de forma radical, colaborativa e mudando as regras do jogo, navegando para mercados não saturados.

Veja-se o exemplo da Google, ao avançar com um sistema operativo para telemóveis – o Android. Aparentemente, estaria a entrar num mercado saturado. Todavia, ao lançar o primeiro sistema open source para telemóveis, está a criar as bases para toda uma nova plataforma colaborativa de desenvolvimento de software (cf. Inovação Colaborativa), que irá mudar completamente as regras do jogo na indústria da telefonia móvel.

Ao mudar as regras do jogo (cf. Game Changing Strategies), está a criar uma nova arquitectura de negócio, em que uma nova rede de empresas interage de forma nova, podendo a Google apropriar-se dos segmentos da rede que irão ter mais valor. Ao fazer isto apropria-se de mercados ainda por explorar, numa estratégia “blue ocean“. É isto pois a architectural advantage: gerir a inovação colaborativa, numa lógica de mercado e não de empresa. E isto exige uma lógica de empreendedorismo e visão de longo prazo.

Citando o Professor Jacobides: “Innovation is not about the creative genius of a solitary inventor; it’s about new ways of orchestrating and managing the benefits we can create. And that will transcend the boundaries of traditional sectors.

Votos de boa leitura 🙂

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6 thoughts on “Architectural Advantage: inovação e competitividade numa economia em rede

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