Apesar de estar de férias, não consigo deixar, nem por quinze dias, a minha fiel “tribo” de leitores 🙂!

Assim, aqui vai mais um post, enviado directamente das quentes areias da praia da Comporta, suavemente acariciadas pelas frescas águas do nosso amado Atlântico… (Agradeçam a imagem ao João Leitão 😉 )

O post de hoje resulta de uma notícia que acabei de ler no Semanário Económico: ao fim de dez anos, já foram concedidos em Portugal mais de quatro milhões de euros de empréstimos em microcrédito!

Para quem não conheça o fenómeno, o microcrédito surge no Bangladesh, através da ideia de um visionário, hoje Prémio Nobel, de nome Muhammad Yunus. Para Yunus, era claro que muitas pessoas que estavam no limiar da probreza no seu país poderiam mudar substancialmente a sua vida se, através de um pequeno empréstimo, pudessem começar o seu próprio negócio.

Todavia, o grande problema que estas pessoas enfrentavam era o modelo de concessão de crédito tradicional, em que os bancos basicamente só emprestam dinheiro a quem já o tem em quantidade suficiente para garantir o pagamento das respectivas prestações.

Neste modelo, baseado num modelo económico de escassez e desconfiança, o empreendedorismo tem de andar a par da detenção de capital, ou então fica excluído.

E foi precisamente um modelo inclusivo aquele que Muhammad Yunus criou: um modelo baseado na confiança como motor de abundância e desenvolvimento económico.

Assim nasceu o microcrédito. Um modelo de concessão de pequenos empréstimos (no Bangladesh o empréstimo médio rondará os 150 dólares, aqui em Portugal não pode ultrapassar os 1500 euros), em que há uma apreciação cuidadosa do pedido, mas sem os critérios de exclusão tradicionais nem as asfixiantes condições de garantia habituais. Com este modelo nasceu o Grameen Bank no Bangladesh, vocacionado para o microcrédito, e que já tirou da miséria milhares de pessoas.

Em Portugal, o projecto do microcrédito, dinamizado pela Associação Nacional do Direito ao Crédito e pelo Millennium bcp, já permitiu criar 1341 postos de trabalho, apresentando uma taxa de sucesso de quase 85%!

Este é um dos factos mais notáveis: quem recebe crédito é bem sucedido na maioria dos casos, e é muito melhor pagador das suas dívidas que o cliente normal de crédito!

E porquê? Apesar de não haver estudos sobre o assunto, estou certo que a razão por detrás deste sucesso tem a ver com o sentido dos projectos. O que quero eu dizer com isto? Que o financiamento é feito para pessoas que acreditam num projecto, que valorizam a ajuda recebida, que por sua vez constitui fonte atribuidora de sentido para a sua vida.

E isto, na minha opinião, é um enabler fortíssimo da conduta moral dos indivíduos, bem como do commitment que colocam no que fazem. E tudo isto se consegue porque alguém acreditou neles…

Deixo neste post algumas reflexões e questões:

  1. Será a economia da abundância, baseada na confiança, a alternativa para o modelo económico actual?
  2. O espírito empreendedor não dependerá muitas vezes da força com que a vida questiona as nossas pequenas verdades, feitas para nos dar o conforto de acreditarmos que estamos bem se continuarmos na mesma?
  3. O talento e o empreendedorismo estão muitas vezes onde menos se espera, e não dependem nem da educação nem do capital (vejam os exemplos tocantes do Miguel Pinho, da Ana Maia e do Renato Luís no Semanário Económico desta semana!)

Termino com o exemplo inspirador de Muhammad Yunus, que descreve, da forma apaixonada e tocante a que já nos habituou, o projecto da sua vida; o microcrédito.

Enjoy it 🙂!

5 thoughts on “Microcrédito: afinal, onde estão os empreendedores?

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