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Surge este post da leitura de um excelente artido do Peter Bregman no blog da Harvard Business Publishing, intitulado “Stop Worrying about Your Weaknesses”.
Neste artigo, o autor expõe de forma brilhante o tremendo paradoxo que é criado em muitas organizações que tentam implementar modelos meritocráticos. A esse paradoxo chamei mediocracia.
Que os modelos meritocráticos são enablers do talento é uma ideia que já defendi anteriormente – cf. meu post sobre meritocracia. Todavia, a verdade é que, em muitos casos, quando aferimos o mérito dos nossos colaboradores, acabamos por nos concentrar nos pontos fracos, em vez de olhar para os pontos fortes.
Qual de nós num processo de avaliação de desempenho não investiu mais tempo a discutir a forma de melhorar os pontos fracos, assumindo que aquilo que está bem não justifica grandes conversas (o que está bem, está bem, não é?)?
Pois bem: está mal! Porquê? Porque os nossos pontos fracos reflectem na maioria dos casos áreas de competência que não nos entusiasmam nem nos encantam, pelo que o esforço para sermos bons nessas áreas será sempre muito consumidor de energias e gerará sempre fracos resultados. Quem está disposto a investir em coisas que não lhe dizem nada?
Como diz o Peter Bregman, ao tentarmos “consertar” as nossa fraquezas, corremos o risco de as estar a reforçar, gerando frustração, em vez de aumentarmos a nossa auto-estima ao potenciar e apostar nos nossos talentos.
Ninguém é bom em tudo. Mas todos somos bons em algumas coisas. Muitas vezes, o que nos falta é identificar aquilo em que somos bons e investir nisso, para nos tornarmos excelentes. A grande diferença entre estas duas abordagens é que uma está concentrada em “conter danos” – a mediocracia, que tenta consertar fraquezas e nos leva até à mediania -, enquanto que outra está focada em criar valor - a meritocracia, que aposta no reforço dos nossos méritos, do nosso potencial e do talento que podemos vir a ser.
Que abordagem queremos nas nossas organizações? Mesmo em tempo de crise o que é mais importante? Conter danos ou criar riqueza?
Votos de boa reflexão
Nota – para quem queira aprofundar o tema a nível organizacional, aqui deixo um recurso interessante sobre a mediocracia.
O Mentes Brilhantes tem estado menos agitado nos últimos tempos, fruto da minha mudança de vida mais recente.
Após um trimestre sabático, em que me dediquei exclusivamente à actividade docente, resolvi finalmente regressar ao mundo das organizações, desta feita vestindo o papel do empreendedor.
É de facto completamente diferente quando temos de olhar para a gestão de um negócio na sua globalidade. A pressão para obter resultados deriva da responsabilidade que temos relativamente aos nossos empregados (e suas respectivas famílias). Esta pressão para os resultados convive com a pressão para entregar serviços de elevada qualidade, pela responsabilidade que temos para com os nossos clientes (razão de ser da nossa existência).
Este leque de responsabilidades e preocupações muda profundamente o nosso mindset (para melhor), aumentando a nossa percepção do que temos de fazer e levando-nos muitas vezes a descobrir o que somos capazes de verdadeiramente fazer (e muitas vezes nem sonhávamos). E este ímpeto superador é algo de extremamente valioso…
O desafio da Alter Via levou-me assim a descobrir coisas que nem sabia sobre mim próprio, como por exemplo o gosto que tenho pela actividade comercial e pela gestão dos negócios. O sentido que esta actividade hoje faz na minha vida é uma agradável surpresa, confirmando que, finalmente, faço aquilo que gosto, em vez de gostar daquilo que faço (e isto faz toda a diferença…).
Por outro lado, esta experiência confirma tudo o que tenho vindo a escrever sobre a gestão do talento neste blog: a equipa da Alter Via é um verdadeiro exemplo de elevada produtividade num ambiente de partilha, numa lógica de economia de abundância, por contraponto a uma lógica de economia de escassez.
A generosidade e abertura com que todos os elementos da equipa partilham conhecimento, aprendem uns com os outros e potenciam as sinergias resultantes da combinação dos seus diversos talentos são um exemplo refrescante de como podemos ser competitivos no mercado sem que tenhamos de estar eternamente a combater num “red ocean”, seja externo, seja interno – cf. o meu post sobre estratégias blue ocean.
Esteja em Lisboa, no Porto ou em Luanda, sei que a equipa da Alter Via lá está, a velar para que o barco chegue a bom porto, num trabalho em equipa ímpar, em que a alegria de atingirmos as nossas metas se sobrepõe à necessidade de afirmação de qualquer ego individual.
Valeu a pena mudar de vida.
Não porque me arrependa do que fiz ou vivi: cada segundo valeu a pena e foi fundamental para estar hoje onde estou!
Mas valeu a pena fundamentalmente porque a opção que fiz se revelou acertada, e justificou o risco de, em plena crise, o meu destino passar a depender apenas de mim em vez de continuar a depender de um “emprego” clássico.
É menos seguro e confortável? Sim. É mais recompensador? Sem dúvida!
Pode vir a correr mal? Talvez… mas isso está acima de tudo nas minhas mãos… e há que olhar o futuro com confiança
!
Espero que este testemunho possa inspirar ou encorajar outros potenciais empreendedores.
À equipa da Alter Via, o meu sincero obrigado
!!!
Deixo-vos com dois pequenos vídeos do Tom Peters sobre empreendedorismo.
Enjoy it
!







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