Ainda a propósito das Conferências na Lusófona, devo confessar que gostei particularmente da intervenção do meu amigo Tiago Forjaz.
O Tiago é daquelas pessoas que nunca nos é indiferente. A sua curiosidade, a sua inquietude intelectual e o desassombro com que exprime as suas ideias fazem com que nunca seja para nós um personagem a preto e branco (apesar da foto dele no site
).
Na sua intervenção, o Tiago falou naturalmente sobre talento. E focou um aspecto que cada vez se torna mais importante e com o qual cada vez mais concordo…
... dizia a certa altura o Tiago que achava um disparate a ideia, tão popularizada desde o famoso estudo The War for Talent da McKinsey, de que o talento era escasso.
Esta ideia, baseada num mindset desenvolvido numa óptica económica de escassez, faz com que encaremos o talento como algo raro, que só alguns eleitos têm, e pelo qual as organizações têm de lutar (cada vez mais ferozmente).
Esta ideia tem sido fortemente popularizada, dando origem a abordagens de gestão do talento famosas, como a “9 boxes approach” da McKinsey, adoptada em empresas tão famosas como a General Electric (deixo-vos aqui um site sobre o tema e ainda um white paper).
Todavia, esta abordagem tem sido fortemente contestada nos últimos anos, pelos fracos resultados obtidos (cf. estudo do Corporate Leadership Council). Autores consagrados como o Professor Jeffrey Pfeffer defendem que o talento é algo que todos têm de alguma forma, e que o verdadeiro desafio é conseguir que todas as pessoas (pessoas normais), numa organização, produzam resultados extraordinários - cf. o meu post Back to Basics.
Esta abordagem, defendida brilhantemente pelo Tiago desde que fundou a Jason, vai de encontro à perspectiva inclusiva de talento, que eu também defendo já há alguns anos – cf. o meu post Efeito Laplace. Para esta perspectiva contribuiu fortemente a noção de que o talento é efémero, uma vez que resulta do seu valor transaccional, ou seja, do valor atribuído a algo que fazemo numa organização, num dado momento, num dado contexto.
Esta noção foi-me dada por um artigo científico, escrito por Sasha Barab e Jonathan Plucker, da Universidade do Indiana, intitulado “Smart People or Smart Contexts?”. Recomendo vivamente a sua leitura – este artigo mudou a minha forma de ver o talento de uma forma irreversível, e fez-me perceber como podemos ser um talento à 6ª feira na organização a e não o ser de todo na segunda feira seguinte, se essa organização tiver sido comprada pela organização b!
Recomendo ainda que espreitem o novo site da Jason Associates, lançado esta segunda feira e que expressa esta nova forma de olhar o talento, e que leiam o fantástico artigo do Tiago, intitulado “Talentologia”.
Sobre este artigo voltarei a falar mais tarde
Ficam para já os parabéns ao Tiago por continuar a marcar o ritmo da inovação no talent management e por definir novas tendências. A comunidade de talento agradece
Votos de boa leitura







3 comments
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Fevereiro 23, 2009 às 4:29 pm
Génio: ser ou ter? « Mentes Brilhantes
[...] – cf. o artigo “Smart People or Smart Contexts?“, citado no meu post “Talentologia – parte I“. O facto do sucesso ser efémero deve ser visto assim como algo natural e não redutor, que [...]
Abril 28, 2009 às 3:29 pm
Multiplicar Talento « Mentes Brilhantes
[...] talento. E estas pessoas têm também elas talentos únicos que podem ser aproveitados – cf. posts Talentologia – parte I e Talentologia – parte [...]
Junho 29, 2009 às 6:59 pm
Cirque du Soleil: blue ocean talent strategy « Mentes Brilhantes
[...] dos talentos, e não no pressuposto de que o talento é um recurso escasso (cf. os meus posts Talentologia: parte 1 e parte 2 e o meu artigo Talento: o mito do recurso [...]