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innovationChegou-me às mãos recentemente um estudo da McKinsey intitulado “Assessing Innovation Metrics“, que se debruça precisamente sobre as práticas de medição e monitorização do esforço de inovação das empresas.

Para além de ser um tema de interesse por operacionalizar um conjunto de métricas sobre um activo intangível importantíssimo – a inovação -, também é muito interessante pelas conclusões a que chega e pelos caminhos que aponta:

  • as empresas estão em geral satisfeitas com as formas que usam para media a inovação, apesar de haver claramente espaço de melhoria para o seu uso, segundo a McKinsey;
  • as empresas que obtêm maior retorno do investimento em inovação são aquelas que medem essa mesma inovação de forma mais efectiva e transversal à cadeia de valor;
  • a inovação é uma prioridade estratégica para a maioria das companhias, apesar da tendência ser ligeiramente decrescente face ao ano passado (talvez por efeito do conservadorismo gerado pela recente crise financeira);
  • muitas organizações geram métricas que acabam por não ter tempo para usar;
  • o investimento em inovação é decidido numa base oportunística, de curto-prazo;
  • apesar de se recorrer a várias métricas, ainda são poucas as companhias que estabelecem uma correlação entre o investimento em inovação e a sua eficácia/rentabilidade.

Sobre estas conclusões ocorrem-me as seguintes reflexões:

  1. Parece-me compreensível, mas errada, a postura conservadora das empresas, achando que em tempo de crise não se deve arriscar tanto em inovação. Pois acho que é precisamente em tempos de crise que devemos arriscar em inovação, pois são momentos de oportunidade que podem e devem ser aproveitados. A forma como se arrisca é que deve ser controlada, devendo a inovação ser primeiro testada em contextos-piloto, e só depois implementada – mas isso é pura gestão adequada do risco operacional;
  2. Devemos ter cuidado em não transformar as métricas num fim em si mesmo. Elas devem suportar o processo de tomada de decisão, logo devem ser simples, claras e úteis - para poderem ser manejáveis como ferramentas de suporte à decisão. “Poucas mas boas” seria o mote a usar!
  3. Decidir investimentos em inovação com base numa visão pragmática de curto-prazo é condenar a competitividade a prazo. Há que pensar e sonhar a prazo, para antecipar tendências e descobrir os novos mercados que ainda vamos criar – cf. os meus posts sobre Estratégias Blue Ocean, Architectural Advantage e Game Changing Strategies. O imediatismo é fatal para o processo de inovação, tal como o é para a gestão dos talentos – cf. o meu post sobre o Efeito Laplace;
  4. Se não medirmos adequadamente a eficácia do esforço de inovação, não podemos sair do ciclo vicioso do pragmatismo imediatista, o que limita o aproveitamento do potencial de inovação das organizações. Logo, se não entrarmos num ciclo virtuoso de inovação, a pergunta que se coloca é: então porque procuramos talentos? Para não os aproveitar?

Votos de boa leitura e reflexão ;-)

 

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