Passei hoje os olhos pelo resumo do mais recente estudo do Corporate Leadership Council, intitulado “Improving Talent Management Outcomes“.
Vale a pena investir algum tempo na sua leitura, pelas conclusões apresentadas, após terem inquirido mais de 9000 executivos de todo o mundo.
Destas conclusões, destaco as seguintes:
- Não basta uma marca forte para atrair talento – apesar de ser uma condição necessária, não é de todo suficiente. As organizações que acham que atraem talento apenas ganhando prémios do “Best Place to Work” ou recorrendo ao factor “liderança no sector” enfrentam a prazo sérios problemas: são menos de 10% os candidatos que valorizam esse factor;
- É fundamental uma Proposta de Valor clara e forte - a criação de uma proposta de valor distintiva para os colaboradores da organização aumenta o commitment em quase 30% e reduz os custos de contratação em quase 50%. Assim, a pergunta a fazer é: o que temos para oferecer aos nossos colaboradores que nos distingue dos nossos concorrentes? A propósito deste tema cf. o meu capítulo sobre Marketing Interno no livro Gestão de Activos Humanos no Século XXI;
- O compromisso emocional pesa mais que o racional - embora não constitua novidade, é importante reforçar a ideia de que, mais do que dinheiro, o que os talentos valorizam são o respeito e a crença no seu trabalho, na sua organização, na sua equipa e nos seus líderes, ou seja, nos factores “inspiracionais” de gestão – cf. o meu post O Paradoxo de Ícaro;
- O sucesso passa pela qualidade das networks criadas - mais importantes que programas ultra-sofisticados de desenvolvimento de potencial, o sucesso depende muito mais de a quem reportam e com quem trabalham as “jovens promessas” da organização. A aposta no networking é assim algo que se confirma por várias fontes – cf. o meu post Corporate Social Networks;
- As organizações de sucesso têm líderes que acreditam no desenvolvimento do talento e que agem de acordo com essa convicção – não basta parecer ou proclamar, é necessário ser genuíno nos actos do dia-a-dia;
Este é um aspecto que descobri há uns anos, ao ler o fantástico livro do Charles O’Reilly e do Jeffrey Pfeffer - Hidden Value, ou, em português do Brasil, Talentos Ocultos. Neste livro, os autores estudam empresas que têm sucesso duradouro, ou seja, que têm sucesso ao longo de gerações, para lá das modas de gestão. Ao estudarem essas empresas, procuraram encontrar um ou váriosdenominadores comuns, que explicassem esse sucesso.
E um deles era precisamente a genuinidade empresarial, ou seja, a profunda coerência entre os valores e princípios proclamados, entre as metas e os objectivos anunciados, e a prática, de todos, no quotidiano. Essa coerência praticada nos actos do dia-a-dia, resultado de um esforço colectivo concertado, traduz uma credibilidade que hoje é essencial para que os colaboradores de uma organização acreditem nela, e partilhem os seus propósitos.
E isto por uma razão muito simples: porque as pessoas observam, reflectem, pensam e decidem, seja qual for a sua posição na organização. E todos nós decidimos, dia após dia, se continuamos de alma e coração na organização a que pertencemos.
Porque não fariam os talentos isso mesmo?
Sobre este e outros tópicos levantados por este estudo escreverei de novo em momento oportuno.
Boa reflexão :-) !







8 comments
Comments feed for this article
Setembro 22, 2008 às 6:58 pm
Marx e o talento « Mentes Brilhantes
[...] as pessoas decidem todos os dias se o colocam ao serviço da organização ou não (cf. o meu post Genuinidade Empresarial) ! [...]
Outubro 16, 2008 às 5:59 pm
Brand Management na Gestão do Talento « Mentes Brilhantes
[...] Na prática, o que oferecemos é: aprendizagem rica, desenvolvimento de carreira rápida, oportunidades de progressão e desafios exigentes mas recompensadores. À nossa maneira, procurámos dar resposta ao que os talentos procuram – cf. o meu post O Paradoxo de Ícaro -, mas de uma forma que seja nossa, única e diferenciadora – cf. o meu post Genuinidade Empresarial. [...]
Outubro 21, 2008 às 5:07 pm
Back to basics… « Mentes Brilhantes
[...] Um dos seus livros mais interessantes chama-se “Hidden Value” (já aqui o recomendei), em que demonstra que um dos denominadores comuns de empresas rentáveis e duradouras é a sua genuinidade empresarial. [...]
Novembro 6, 2008 às 10:08 pm
Autenticidade… « Mentes Brilhantes
[...] Sobre este mesmo tema já escrevi no meu post sobre genuinidade empresarial. [...]
Janeiro 27, 2009 às 7:29 pm
Lições sobre Corporate Culture « Mentes Brilhantes
[...] Todos os colaboradores escrutinam os elementos da cultura. Todas as decisões de gestão são permanentemente avaliadas e a sua coerência julgada – cf. meu post sobre Genuinidade Empresarial; [...]
Março 25, 2009 às 1:27 pm
Factor P « Mentes Brilhantes
[...] Genuinidade Empresarial [...]
Julho 27, 2009 às 3:36 pm
Management Fashion: que Steve Jobs nos inspire… « Mentes Brilhantes
[...] o clássico problema das “agendas individuais”, que minam muitas vezes a necesária genuinidade empresarial. Tal acontece, na minha opinião, porque a maioria das nossas organizações ainda não percebeu a [...]
Agosto 11, 2009 às 7:03 pm
Criatividade: uma arma para combater a crise « Mentes Brilhantes
[...] JNR relembra que não há receitas únicas e infalíveis para fomentar a criatividade nas organizações, sendo necessário ler os sinais da cultura organizacional e do modelo de negócio, de forma a encontrar a maneira (específica e única) de fazer com que as medidas de promoção da criatividade sejam encaradas como naturais e necessárias à organização. sem esta percepção de valor e utilidade, não haverá genuína adesão por parte dos intervenientes – cf. post sobre genuinidade empresarial. [...]