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Este é um post breve, que resulta da minha passagem de olhos pelas páginas da Revista Única do Expresso.

Numa única edição, destaque para dois talentos emergentes em Portugal:

  • Elvira Fortunato, uma das mais reputadas cientistas mundiais na área da microelectrónica, ganhou recentemente um prémio do European Research Council. Não entrou no curso que queria e nunca saiu da margem sul. Hoje lidera uma equipa multinacional para a qual concorrem investigadores do mundo inteiro!

É caso para dizer que todos dias encontramos mais motivos para ter orgulho no talento português :-)

Este é mais um post que resulta das minhas leituras de Verão.

Surgiu-me ao ler um colunista do Diário Económico, na passada quarta-feira. Confesso que nunca tinha lido nada do Pedro Lomba, mas aquele artigo chamou-me a atenção. Fui pesquisar na net, e o que mais consegui perceber sobre o Pedro Lomba é que já lançou mais blogues do que eu, mas que acabou por deixar de escrever neles todos.

Apesar da sua net-indolência, a verdade é que mantém a pujança na imprensa escrita, e a sua perspectiva me fez pensar.

O título da coluna desta semana é “A aprendizagem do ofício”, e fala sobre (imagine-se!) … podologia

E o que é a podologia? – perguntam todos vós…

Pois a podologia, meus amigos, versa sobre o conhecimento dos… pés!

Ok, vamos directos ao assunto antes que pensem que perdi o juízo: o Pedro conta-nos um episódio passado numa sapataria, onde encontrou um simples vendedor de sapatos que demonstrou um profundo conhecimento dos primeiros beneficiários do produto que vendia – os pés.

A verdade é que este profundo conhecimento da podologia o ajudava imenso na sua actividade comercial, como o Pedro bem notou. E o simples vendedor de sapatos percebeu que ao aumentar a sua cultura geral e o seu portfolio de conhecimentos, melhorava a sua eficiência, tirando daí ganhos imediatos.

A primeira referência que esta história me desperta passa pois pelo facto de nem sempre o talento estar residente nas profissões mais “nobres”, ou nas funções mais evidentes. O talento está onde estiver uma mente curiosa, disposta a aprender mais para poder brilhar mais, seja qual for a forma como esse brilho se expressa.

E isto reforça a minha convicção de que pensar em talento é cada vez mais pensar “out-of-the-box”, e procurá-lo é cada vez mais ir aos lugares menos convencionais (cf. os meus posts “Ciência: o talento não é exclusivo dos gestores” e “Estamos a educar funcionários ou empreendedores?” ).

A segunda referência deriva da continuação da história. O vendedor não adoptou esta atitude apenas porque é bom brilhar. Não, a verdade é que teve uma pequena “ajuda” do seu patrão, que soube montar um bom, eficiente e simples sistema de incentivos, que criou um benefício evidente para quem estivesse disposto a mudar para melhor, para quem estivesse disposto a lutar pela excelência.

Assim, nesta história o talento residiu no vendedor (onde menos estaríamos à espera), o que se percebeu pelo “brilho” evidente que levou o Pedro a comprar os sapatos.

Mas residiu também no patrão, que teve a visão suficiente para ser capaz de deixar brilhar as pessoas da sua equipa, encorajando-as a superarem-se todos os dias (o que poderíamos chamar a “face discreta do talento” :-) ).

Moral da história: não é preciso irmos a uma multinacional para encontrarmos talento… podemos tropeçar nele num sítio tão simples e inesperado como uma normal sapataria…

Estejam atentos… eles andam aí ;-)

 

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